Orquídeas terrestres: espécies e cuidados no cultivo

Quando pensamos em orquídeas, é comum imaginar plantas presas aos troncos das árvores, com raízes expostas e vasos preenchidos com cascas e materiais bastante aerados.

Mas nem todas vivem dessa maneira.

Existem orquídeas terrestres, que crescem naturalmente no solo ou associadas à camada de matéria orgânica encontrada sobre ele. Algumas podem ser cultivadas em jardins, enquanto outras se adaptam melhor a vasos.

Essa diferença muda bastante o cultivo.

O erro está em pensar que toda orquídea terrestre pode simplesmente ser plantada em qualquer terra de jardim. As necessidades variam conforme a espécie, e drenagem continua sendo um aspecto importante.

O que é uma orquídea terrestre?

A classificação está relacionada principalmente ao modo como a planta cresce.

Orquídeas epífitas utilizam árvores e outras estruturas como suporte sem necessariamente parasitá-las. Já as terrestres mantêm suas raízes associadas ao solo.

Existem ainda orquídeas com outros hábitos, o que mostra a enorme diversidade dessa família de plantas.

Para o cultivador, identificar esse comportamento ajuda principalmente na escolha do substrato, recipiente e local de cultivo.

Uma mistura utilizada para uma Phalaenopsis, por exemplo, não deve ser automaticamente considerada ideal para uma orquídea terrestre.

Algumas orquídeas terrestres conhecidas

Existem muitos gêneros e espécies de hábito terrestre. Entre os exemplos encontrados no cultivo ornamental estão:

Spathoglottis – apresenta crescimento em touceiras e pode produzir hastes com várias flores.

Phaius – inclui orquídeas terrestres de porte maior, conhecidas por folhas grandes e hastes florais altas.

Bletilla – gênero de orquídeas terrestres que apresenta comportamento bastante diferente das espécies tropicais mais comuns.

Alguns Paphiopedilum também possuem crescimento terrestre ou associado à matéria orgânica acumulada no ambiente natural.

Esses exemplos já revelam um ponto importante: colocar todas as orquídeas terrestres dentro de uma única rotina de cultivo seria uma simplificação.

Elas podem ser plantadas diretamente no jardim?

Algumas podem, desde que o clima e as condições do solo sejam adequados à espécie.

Antes de plantar, observe principalmente a drenagem.

Um local onde a água fica acumulada depois de cada chuva pode criar condições desfavoráveis para muitas orquídeas.

Também considere a quantidade de sol.

Existem espécies que apreciam ambientes bastante iluminados, enquanto outras se desenvolvem melhor sob luminosidade filtrada.

Por isso, não escolha o lugar apenas porque existe espaço disponível no canteiro.

Identifique a orquídea primeiro e escolha o local depois.

Terra comum serve?

Depende do que estamos chamando de terra e, principalmente, da espécie cultivada.

Ser terrestre não significa gostar de solo pesado, compactado e constantemente encharcado.

Na natureza, muitas dessas plantas crescem em condições nas quais existe matéria orgânica, drenagem e oxigênio disponível para as raízes.

No cultivo em vasos, podem ser utilizadas misturas que combinam componentes orgânicos e materiais capazes de melhorar a estrutura e a drenagem.

A composição deve ser escolhida considerando a espécie e também o clima.

Como regar orquídeas terrestres?

A observação continua sendo mais importante do que um calendário rígido.

Durante períodos quentes e de crescimento ativo, determinadas espécies podem consumir água mais rapidamente.

Em dias frios ou chuvosos, a secagem pode ficar mais lenta.

Coloque um pouco do dedo na superfície do substrato e observe a umidade. Analise também o peso do vaso e o comportamento da planta.

Se estiver cultivando diretamente no jardim, considere as chuvas antes de decidir regar.

Uma semana chuvosa pode fornecer toda a água necessária.

Adicionar regas automáticas sem observar o solo pode resultar justamente no excesso que você queria evitar.

Sol ou sombra?

Não existe uma resposta universal para todas as orquídeas terrestres.

Essa talvez seja uma das diferenças mais importantes deste artigo.

Uma espécie pode gostar de luminosidade intensa, enquanto outra está naturalmente associada a ambientes mais protegidos.

Se você comprou a planta com identificação, pesquise as necessidades daquele gênero e espécie.

Caso a identificação seja desconhecida, evite mudanças extremas enquanto tenta descobri-la.

Colocar uma planta acostumada à sombra diretamente sob o sol forte pode provocar queimaduras antes mesmo que você consiga avaliar sua adaptação.

O vaso precisa ter drenagem

Mesmo quando o substrato contém componentes diferentes daqueles utilizados em orquídeas epífitas, a saída da água continua importante.

Utilize recipientes com furos adequados.

Depois da rega, a água deve conseguir sair.

Cachepôs decorativos podem esconder água acumulada no fundo. Por isso, faça uma verificação depois de regar.

Se o substrato permanece encharcado durante períodos excessivamente longos, não pense apenas em reduzir a água: avalie também se a mistura está compactada ou se o recipiente possui drenagem insuficiente.

E a adubação?

Orquídeas terrestres podem se beneficiar de uma nutrição adequada durante seu desenvolvimento.

Mas a quantidade e o tipo de fertilizante devem ser compatíveis com a espécie e com o produto utilizado.

Evite receitas extremamente concentradas ou aplicações excessivas com a intenção de acelerar a floração.

Adubação funciona melhor como parte de um cultivo equilibrado.

Uma planta mantida em iluminação inadequada ou com raízes comprometidas não terá esses problemas resolvidos simplesmente com mais fertilizante.

Algumas formam touceiras

Uma característica interessante de determinadas orquídeas terrestres é a capacidade de formar conjuntos cada vez maiores de brotos.

Com o passar dos anos, o vaso ou canteiro pode apresentar uma touceira bem desenvolvida.

Dependendo da espécie, plantas adultas podem ser divididas para formar novos exemplares.

Mas não tenha pressa.

Dividir constantemente uma planta pequena pode atrasar seu desenvolvimento e reduzir o impacto das próximas florações.

Espere que exista uma touceira suficientemente estabelecida e faça a divisão de acordo com as características da espécie.

Folhas desaparecendo nem sempre significam morte

Aqui aparece outra razão para conhecer exatamente qual orquídea você possui.

Algumas espécies terrestres podem apresentar períodos de dormência, durante os quais a parte visível da planta diminui consideravelmente ou desaparece.

Para alguém que não conhece esse comportamento, parece que a orquídea morreu.

O cultivador então pode aumentar drasticamente a rega ou até descartar o vaso.

Antes de fazer isso, procure saber se aquela espécie possui um ciclo sazonal de dormência.

Os cuidados durante esse período podem ser bastante diferentes daqueles adotados durante o crescimento ativo.

Como escolher uma espécie para o jardim?

Em vez de comprar apenas pela aparência da flor, faça algumas perguntas:

O clima da minha região combina com essa espécie?

Ela ficará em vaso ou diretamente no solo?

O local recebe sol pela manhã ou durante toda a tarde?

O terreno drena bem depois das chuvas?

Quanto espaço a planta terá quando estiver adulta?

Responder a essas questões antes do plantio evita muitas correções posteriormente.

Terrestre não significa “orquídea comum de terra”

Essa é a ideia principal para guardar.

As orquídeas terrestres realmente possuem uma relação com o solo diferente daquela encontrada em muitas epífitas, mas continuam formando um grupo extremamente diverso.

Algumas gostam de calor. Outras toleram condições mais frescas. Algumas formam grandes touceiras. Outras passam por dormência. Algumas podem ficar muito bem em jardins, enquanto outras exigem condições mais específicas.

Por isso, o melhor cuidado começa pela identificação da planta.

Descubra qual orquídea terrestre você possui e, a partir daí, ajuste substrato, luminosidade, água e temperatura.

Mais do que decorar uma regra para “orquídeas terrestres”, entender a espécie transforma o cultivo em algo muito mais simples — e evita tratar plantas completamente diferentes como se fossem todas iguais.

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