Phalaenopsis, Cattleya e Dendrobium estão entre os nomes mais conhecidos por quem começa a cultivar orquídeas. Quando estão floridas, algumas diferenças parecem evidentes. Depois que as flores caem, porém, identificar a planta pode ficar bem mais difícil.
A melhor estratégia é não olhar somente para a flor.
Folhas, raízes, pseudobulbos e a forma como novos brotos aparecem ajudam a distinguir esses três grupos. Essas diferenças também explicam por que não é uma boa ideia oferecer exatamente os mesmos cuidados para todas as orquídeas da coleção.
Phalaenopsis: folhas largas e crescimento central
Comecemos por uma das mais comuns nas floriculturas.
A Phalaenopsis normalmente apresenta folhas largas e relativamente espessas, organizadas ao redor de um eixo central.
Ela não forma as grandes canas encontradas em muitos Dendrobium nem os pseudobulbos evidentes das Cattleyas.
As raízes também chamam bastante atenção.
São grossas e podem crescer tanto dentro quanto para fora do vaso. Quando secas, muitas apresentam aparência prateada ou acinzentada; depois de hidratadas, frequentemente ficam verdes.
É por isso que tantas Phalaenopsis são vendidas em vasos transparentes.
Uma Phalaenopsis costuma apresentar:
- folhas largas;
- crescimento a partir da região central;
- raízes grossas, muitas vezes expostas;
- ausência de pseudobulbos evidentes;
- haste floral surgindo entre as folhas.
Quando pensamos naquela clássica orquídea de supermercado com grandes folhas verdes na base e uma longa haste arqueada de flores, frequentemente estamos diante de uma Phalaenopsis.
Cattleya: procure os pseudobulbos
A estrutura da Cattleya é bastante diferente.
Em vez de produzir todas as folhas a partir de um único centro, ela cresce progressivamente através de novos brotos.
Esses brotos se desenvolvem e formam pseudobulbos, estruturas engrossadas responsáveis também pelo armazenamento de água e nutrientes.
No topo de cada pseudobulbo aparecem uma ou mais folhas, dependendo da espécie ou híbrido.
Uma Cattleya adulta, portanto, pode apresentar uma sequência de pseudobulbos de diferentes idades.
Alguns estão antigos e sem flores; outros são recentes e ainda estão amadurecendo.
Isso é normal.
Na Cattleya, observe:
- pseudobulbos bem definidos;
- uma ou mais folhas no topo deles;
- novos brotos surgindo pela base;
- crescimento horizontal progressivo;
- raízes normalmente claras e relativamente grossas.
As flores de muitas Cattleyas são grandes e chamativas, e diversas variedades também apresentam perfume.
Mas mesmo sem nenhuma flor, os pseudobulbos já oferecem uma pista muito boa para identificação.
Dendrobium: as famosas canas
Agora imagine uma estrutura mais alongada.
Muitos Dendrobium desenvolvem pseudobulbos compridos conhecidos popularmente como canas.
As folhas podem aparecer distribuídas ao longo dessas canas ou ficar mais concentradas na parte superior, dependendo do grupo.
Esse detalhe é importante porque Dendrobium representa um gênero enorme e bastante diverso.
Um Dendrobium nobile não apresenta exatamente o mesmo comportamento de um híbrido do grupo conhecido como Den-phal.
Mesmo assim, a presença das canas costuma ajudar bastante a diferenciá-los de uma Phalaenopsis.
Características comuns em muitos Dendrobium:
- pseudobulbos alongados em forma de cana;
- novos brotos surgindo na base;
- folhas distribuídas de maneiras diferentes conforme o grupo;
- raízes formando-se junto aos novos crescimentos;
- possibilidade de surgimento de keikis em algumas variedades.
Se sua orquídea parece formar vários “caules” verticais lado a lado, vale investigar se ela pertence ao gênero Dendrobium.
A diferença fica mais clara olhando as três lado a lado
Pense desta forma:
Phalaenopsis: folhas largas saindo de um eixo central.
Cattleya: pseudobulbos mais curtos ou engrossados, com folhas na parte superior.
Dendrobium: pseudobulbos geralmente mais alongados, formando canas.
Essa comparação não substitui uma identificação botânica completa, mas ajuda bastante quem está tentando descobrir o que possui em casa.
As flores também são diferentes?
Sim, mas identificar apenas pelas flores pode ser mais complicado do que parece.
A enorme quantidade de híbridos produzidos ao longo do tempo criou flores com cores, tamanhos e formatos bastante variados.
As Phalaenopsis normalmente apresentam flores distribuídas ao longo de hastes arqueadas.
Muitas Cattleyas produzem flores grandes, com labelo bastante evidente, surgindo no topo dos pseudobulbos maduros.
Nos Dendrobium, a posição depende muito do grupo.
No Dendrobium nobile, por exemplo, as flores podem aparecer diretamente ao longo dos nós das canas.
Já nos híbridos Den-phal, hastes florais costumam surgir próximas ao topo das canas.
Por isso, a estrutura da planta continua sendo uma ótima pista.
Qual delas precisa de mais luz?
Aqui começa uma diferença importante no cultivo.
De maneira geral, muitas Cattleyas e Dendrobium apreciam luminosidade mais intensa do que aquela normalmente oferecida a uma Phalaenopsis.
A Phalaenopsis costuma se adaptar bem a ambientes claros com luz indireta ou filtrada.
Isso não significa que Cattleya e Dendrobium devam ser colocados indiscriminadamente sob sol forte.
Espécie, horário, clima e adaptação precisam ser considerados.
Mas se as três estiverem no fundo de uma sala com pouca luz, é possível que principalmente Cattleyas e determinados Dendrobium não encontrem condições adequadas para uma boa floração.
E a rega?
As três precisam de água.
O que muda é a maneira como cada planta está estruturada e como o vaso seca.
Phalaenopsis não possui pseudobulbos para armazenar grandes reservas.
Cattleyas possuem pseudobulbos.
Dendrobium também possui estruturas de reserva em suas canas.
Isso já mostra por que copiar exatamente a mesma rotina de rega para todas não é o melhor método.
Além disso, substrato, temperatura, ventilação e fase de crescimento interferem diretamente na necessidade de água.
Em qualquer uma delas, observe antes de regar.
Qual é melhor para cultivar dentro de casa?
Para muitas pessoas, a Phalaenopsis é a mais fácil de encaixar em ambientes internos, principalmente quando existe uma janela com boa luminosidade.
Ela também ocupa relativamente pouco espaço e suas flores podem permanecer ornamentais durante bastante tempo.
Cattleyas podem ser cultivadas em casa, mas normalmente exigem atenção maior à luminosidade disponível.
Dendrobium varia bastante conforme o tipo.
Alguns se adaptam bem a varandas e áreas muito claras, enquanto outros possuem ciclos sazonais que precisam ser compreendidos.
Qual é melhor para iniciantes?
Não existe uma vencedora absoluta.
Uma Phalaenopsis pode ser bastante amigável para quem possui um ambiente interno claro.
Uma Cattleya pode ser excelente para alguém com varanda bem iluminada.
Um Dendrobium pode se desenvolver muito bem quando o cultivador entende qual grupo possui e acompanha seu ciclo.
A melhor escolha depende tanto da planta quanto do ambiente que você consegue oferecer.
Não corte estruturas sem saber qual orquídea possui
Esse cuidado evita muitos erros.
Uma haste floral seca de Phalaenopsis pode ser removida.
Mas um pseudobulbo antigo de Cattleya não deve ser cortado simplesmente porque perdeu a flor.
Da mesma maneira, uma cana antiga de Dendrobium pode continuar funcionando como reserva e até participar de outros processos da planta.
Quando não souber o que determinada estrutura é, espere antes de cortar.
Um jeito simples de lembrar
Se você encontrou uma orquídea sem etiqueta e quer começar a identificação, olhe primeiro para sua forma.
Folhas largas saindo do centro e grandes raízes aparentes? Comece investigando Phalaenopsis.
Vários pseudobulbos ligados entre si, cada um com folhas na parte superior? Cattleya é uma possibilidade.
Estruturas compridas semelhantes a canas, com folhas distribuídas por elas ou concentradas no topo? Procure entre os Dendrobium.
Depois, utilize flores, folhas, raízes e outros detalhes para refinar a identificação.
Essa distinção não serve apenas para descobrir o nome escrito na etiqueta.
Saber se você possui uma Phalaenopsis, Cattleya ou Dendrobium é o primeiro passo para deixar de cuidar de “uma orquídea” e começar a cuidar da planta que realmente está diante de você.

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